A resposta curta
O ether.fi Cash virou meu cartão principal para compras internacionais. Como nômade, pago comida, hospedagem, transporte e mercado em moedas diferentes todos os dias. Uma diferença pequena, repetida centenas de vezes, vira dinheiro de verdade.
A conta que me convenceu é simples. No nível de entrada, o câmbio custa cerca de 1% mais uma margem de 0% a 0,5%, e o cashback é de 3%. Nas compras elegíveis, o cashback paga o câmbio e ainda sobra. Além disso, simplificou minha vida: um cartão só para quase tudo que eu compro.
Como fica o meu setup
Como eu comparei
"Sem taxa" não diz muito. O que importa é quanto saiu de mim para a compra acontecer e quanto voltou depois. Então somei tudo: o custo de formar o saldo, a rede usada para transferir, a margem de câmbio, impostos e tarifas do cartão, o cashback que de fato caiu na conta e o trabalho de manter um plano B.
Olhando o conjunto, e não uma taxa isolada, o ether.fi ficou na frente.
Os 3% de cashback são o centro da conta
Cada compra elegível devolve cashback, calculado em dólar. No nível Core, que é o de entrada, são 3% nos primeiros US$ 2.000 gastos no mês. Depois a taxa cai, e a contagem recomeça a cada mês.
Em que moeda ele volta: pelas regras publicadas, o cashback entra em ETHFI, o token do ether.fi, com 7 dias de trava depois que a compra liquida, e aí o valor oscila com o preço do token. O atendimento do ether.fi me confirmou que dá para configurar o recebimento em USDC. Se você não quer risco de preço, configure assim.
| Gasto no mês (nível Core) | Cashback |
|---|---|
| Primeiros US$ 2.000 | 3% |
| US$ 2.001–3.000 | 1% |
| Acima de US$ 3.000 | 0,5% |
Do outro lado da balança está o câmbio. Em compras em moeda que não seja dólar ou euro, o ether.fi usa uma cotação base que ele mesmo estima em cerca de 1% acima do câmbio comercial, e o Core soma uma margem de 0% a 0,5%, definida na liquidação. Nas minhas compras na China, o total ficou entre 1,3% e 1,5%. Com 3% de um lado e cerca de 1,5% do outro, a conta fica assim:
cashback recebido − custo do saldo, rede e câmbio = o que sobra no seu bolso
A vantagem só existe quando a compra recebe cashback. Saques, transferências, recarga de outras contas, corretoras, cripto, gift cards e impostos ficam de fora, e um reembolso pode estornar a recompensa.
Fontes oficiais: cashback e faixas · câmbio e liquidação · categorias excluídas. Consultadas em 30/09/2026.
O nível sobe com o seu gasto
O teto dos 3% depende do nível, e o nível sobe sozinho: cada US$ 1 gasto no cartão vale 1 ponto. Com 5 mil pontos no mês (US$ 5.000 gastos) você vira Luxe, com 3% até US$ 10.000 e margem de câmbio de no máximo 0,25%. Com 25 mil, Pinnacle, com 3% até US$ 50.000, sem margem de câmbio e até 10 saques grátis por mês. Os pontos zeram todo mês. Também dá para chegar ao Luxe com US$ 15.000 de saldo ou pagando US$ 199 por ano.
Mesmo no Core vêm benefícios de viagem: 5% de volta em hotéis e voos reservados no ether.fi Travel (3% do cartão mais 2% de bônus), eSIM global e acesso a salas VIP pelo benefício Visa. No Luxe entram 2 acessos a salas VIP premium, fila rápida em aeroportos participantes e desconto em assinaturas. O detalhe de cada nível, com a conta do mês inteiro, está no guia de pagamentos na China.
Fontes oficiais: níveis e pontos · benefícios por nível · benefícios do Core · ether.fi Travel. Consultadas em 30/09/2026.
Como eu uso: Direct Pay, não dívida
Eu uso o modo Direct Pay: coloco um saldo em USDC e o cartão gasta o que já está lá, como um débito. Quando aplicável, ele também usa LiquidUSD do Vault depois do USDC.
O cartão tem ainda o Borrow Mode, que cria uma dívida usando seus ativos como garantia, com juros e risco de liquidação. Na DLT Academy, não recomendamos Borrow Mode para pagar viagem, e ele não tem nada a ver com o motivo de eu ter escolhido o cartão.
Um cuidado: o custo de conseguir o USDC também entra na conta. Comprar stablecoin por uma rota cara, ou mandar por uma rede cara, come a vantagem. Eu uso rotas baratas; se a sua for cara, refaça a conta antes.
Fonte oficial: Direct Pay e Borrow Mode, consultada em 29/07/2026.
Por que ele venceu as alternativas que pesquisei
Wise, Revolut e Bybit não são produtos ruins. Só não venceram o ether.fi no trabalho que eu precisava resolver: comprar no exterior pagando o mínimo no total.
| Método | Onde é forte | Por que não virou meu principal nas compras |
|---|---|---|
| ether.fi Cash | Câmbio com margem baixa, 3% de cashback, saldo em USDC | Exige elegibilidade e um jeito barato de formar o saldo; não resolve saque |
| Wise | Simplicidade, conta multimoeda e cartão físico | A conversão tem tarifa e não há cashback para compensar |
| Revolut | Conta global, troca antecipada e cartão físico | Franquias, fins de semana e faixas mudam o custo; no total, não superou o ether.fi para mim |
| Bybit Card Brasil | Compras em reais e benefícios próprios | No exterior soma tarifa de câmbio e, pago com cripto, uma conversão extra |
| Cartões de bancos brasileiros | Crédito, limite e conveniência | IOF e spread; a recompensa raramente compensa |
Wise: usa câmbio comercial e mostra a tarifa antes de converter; a página brasileira anunciava conversões a partir de 0,78%. Continua ótima como cartão físico e reserva, mas nas compras os 3% do ether.fi mudam o resultado.
Revolut: no plano Standard brasileiro há uma franquia mensal para conversões com real e regras próprias para fins de semana e para quem passa do limite. Para quem não quer mexer com stablecoin, pode ser mais simples. Para o meu perfil, saiu mais caro no total.
Bybit Card brasileiro: sigo usando a Bybit onde ela faz sentido, mas o cartão brasileiro cobra 1,5% de câmbio, mais 0,9% quando a compra é paga com cripto, e reserva 3% a mais na autorização. É muito melhor em reais do que como cartão principal no exterior.
Fontes oficiais: Wise · Revolut Standard · Bybit Card. Consultadas em 29/07/2026.
Onde ele não ganha: cartão físico e saques
A lacuna é o dinheiro vivo. No Core, o cartão físico é grátis, mas você paga o frete; no Luxe e no Pinnacle ele vem de metal, com frete incluído. O saque tem tarifa no Core e no Luxe e não gera cashback; só no Pinnacle ficam grátis até 10 saques por mês. Por isso eu separo os trabalhos: o ether.fi para comprar, o ARQ para sacar, o QR com Bybit Pay ou Moreta, e um segundo cartão para emergência.
O melhor cartão para comprar não precisa ser o melhor para sacar.
Fonte oficial: limites e tarifas do cartão e cartões e saques por nível, consultadas em 30/09/2026.
Continue pelo método que o comerciante aceita
- Vai para a China? Alipay, WeChat Pay e Trip.com com o ether.fi, e a regra dos ¥200 que evita os 3%.
- O lugar só aceita QR? Como eu pago VietQR com o Bybit Pay, e o que fazer quando falha.
- Quer ver números reais? O teste de 100.000 VND com Bybit Pay e Moreta.
- Precisa de dinheiro vivo? Por que eu saco com o ARQ.
- Paga assinaturas em reais? Onde o Bybit Card compensa.
Residência não é o país da viagem
Quem decide se você pode abrir a conta é o país onde você mora, comprovado no cadastro. O país onde você usa o cartão é outra história: dá para morar num país aceito e usar o cartão viajando, desde que o destino não esteja bloqueado.
Em 29/07/2026, o Brasil não estava na lista de países proibidos. O Vietnã não era aceito como residência, mas também não estava na lista de países onde o uso de um cartão já emitido é bloqueado. As listas mudam, e a aprovação depende da verificação de identidade e do comprovante de endereço.
Fonte oficial: jurisdições e países de uso, consultada em 29/07/2026.
Não cometa o mesmo erro que eu
Cheguei ao ether.fi pelo link de indicação de outra pessoa. Na época, o link mostrava uma promoção de 15% de cashback em alimentação, restaurantes e corridas de Uber.
Abri o link, mas continuei o cadastro pelo aplicativo, achando que isso bastava para manter a indicação. Não bastou. Perdi alguns dólares da promoção. A pessoa que me indicou também deixou de receber a recompensa dela.
Para não acontecer com você:
- abra o link no navegador do celular ou do computador e cadastre ali o e-mail que vai usar na conta: é o que ativa os benefícios sazonais do convite;
- faça o cadastro inicial inteiro por ali;
- confira que a conta foi criada;
- só então baixe o app e entre com a mesma conta.
Vale manter o acesso pelo navegador depois: o app é mais prático no dia a dia, mas algumas funções são mais fáceis de achar na versão web.
O que o link mostrava em 30/09/2026
Até 3% de cashback nas compras do dia a dia, com o código e155ee95
Nessa data, o link não tinha promoção extra de categoria; a de 10% em delivery, restaurantes, supermercados e Uber, que aparecia em julho, tinha acabado. Quando voltar a ter, ela aparece na própria página de cadastro, por tempo indeterminado.
Link de indicação. Termine o cadastro no navegador antes de entrar no app.
Para quem pode não funcionar
- quem não é aceito pelo país de residência ou pelos documentos;
- quem só consegue comprar e enviar USDC por uma rota cara;
- quem não quer lidar com stablecoin, rede e mais um aplicativo;
- quem precisa principalmente de dinheiro vivo;
- quem já tem um bom cartão global e faz poucas compras fora;
- quem pensa em gastar mais só para ganhar cashback.
Minha conclusão
O ether.fi mudou minha rotina porque resolveu um custo que aparecia todo dia. A margem de câmbio é pequena, os 3% de cashback cobrem o resto e ainda devolvem dinheiro nas compras elegíveis. As promoções ajudam, mas não são o motivo da escolha.
O motivo é mais simples: somando tudo, foi o cartão que menos tirou dinheiro de mim e mais devolveu sobre gastos que eu já ia ter. Para sacar, uso outro. Para comprar, o ether.fi continua sendo o principal.
Fontes, evidência e data
Faixas de cashback, níveis, câmbio, cartões e saques foram reconferidos nas fontes oficiais em 30/09/2026; elegibilidade e comparação com Wise, Revolut e Bybit, em 29/07/2026. A escolha do cartão, a comparação e a história do cadastro são experiência minha. A promoção muda: confira no link na hora do cadastro.
